O Inventário Florestal é a base para o planejamento do uso dos recursos florestais e através dele é possível a caracterização da área e o conhecimento quantitativo e qualitativo das espécies que a compõe. O inventário florestal baseia-se na teoria da amostragem onde parcelas (amostras) são alocadas na área, de acordo com um critério pré-estabelecido, e medições realizadas.

No caso das florestas plantadas com o gênero eucalipto adota-se o Inventário Florestal Contínuo (IFC), ou seja, anualmente mede-se o diâmetro à altura do peito (DAP) e a altura total de cada árvore contida nas parcelas para em uma etapa posterior estimar o volume dessas árvores. Tradicionalmente, essas medidas são realizadas por equipes de campo o que torna o processo dispendioso e demorado. Contudo, estudos científicos têm demonstrado que é possível a obtenção, com alta precisão, de variáveis dendrométricas como a altura total e o diâmetro de copa a partir dos dados LIDAR, diminuindo assim a intensidade de coleta no campo e podendo até mesmo gerar um ganho de precisão nas estimativas de volume e biomassa florestal. Informações estas que poderão ser utilizadas em modelos de crescimento e produção florestal, mapeamento de sítios florestais e estudos de melhoramento de espécies. Além disso, auxilia o planejamento otimizando a construção de estradas, evitando grandes declividades.

Pioneira em utilizar o sistema LIDAR (Ligth Intensity Detection and Range) na América do sul, a Geoid Laser Mapping, especializada em mapeamento aéreo com tecnologia de alta precisão, traz soluções cartográficas modernas obtidas com apoio da mais recente tecnologia. A empresa concentra seus objetivos em soluções de mapeamento para mineradoras, reflorestamento, construção civil, refinarias, empresas de projetos, companhias de saneamento, de telecomunicações, de energia elétrica, entre outros. As vantagens atreladas a este sistema são a alta precisão, alta velocidade de execução, vôo abaixo das nuvens (baixa altura), filmagem georreferenciada (aerovideocinematografia), imagens Bicolor, sistema RGB, infravermelho (IV) e modelos de terreno por hipsometria e intensidade (classificação de pavimento, vegetação).

O LIDAR é um sensor remoto ativo que utiliza técnicas de luz a laser. O princípio de funcionamento desta tecnologia consiste na emissão de feixe infravermelho que após atingir um objeto na superfície terrestre retorna ao sensor permitindo a coleta de dados espaciais, tanto da topografia do terreno, como das estruturas verticais presentes na superfície terrestre. A varredura é realizada transversalmente ao movimento da aeronave. O sistema possui a habilidade de registrar informações do primeiro retorno do pulso laser, do último retorno e um valor de intensidade do pulso refletido para cada ponto mapeado.

Este pulso incidente de energia interage com a copa da árvore (folhas, galhos, troncos) e a superfície do solo, retornando-o ao instrumento. Para cada feixe emitido é registrado o tempo de percurso sensor – objeto – sensor, permitindo ao sistema o cálculo da distância. Utilizando unidades de medições auxiliares como GPS (Global Position System) e o IMU (Inertial Measurement Unit), que registram a posição e a altitude da aeronave durante o vôo, torna-se possível determinar a posição tridimensional de pontos na superfície, representados por pontos de coordenadas x, y e z.

Um receptor GPS é instalado na aeronave e registra sua posição a intervalos fixos. Receptores GPS instalados em pontos de coordenadas conhecidas em campo (estações terrestres), promovem a correção de diferencial para uma determinação de posição mais precisa.

Os novos sensores laser geram até 100.000 pulsos por segundo, e como cada pulso possui 04 retornos de laser (três nas folhas e o último no solo), a garantia de penetrar na vegetação e de alcançar o solo é maior e pode gerar até 400.000 coordenadas por segundo. A precisão depende dos componentes do sistema como GPS, IMU e laser, e das condições do vôo, efeitos atmosféricos, declividade do terreno e cobertura vegetal. A altitude do vôo influencia na precisão vertical e horizontal atingida, sendo de 15 cm para vôos a 1000 m.

Após o processo de classificação dos pontos, através dos pontos de terreno são gerados os modelos digitais de elevação (MDE) e através dos pontos associados a outros objetos são gerados os modelos digitais de superfície (MDS). Um terceiro modelo pode ser derivado calculando a diferença entre o MDE e MDS. Neste modelo, apenas a altura dos objetos acima do terreno são representadas, permitindo a obtenção direta desta variável.

Assim, a tecnologia LIDAR é uma alternativa eficiente, precisa e rápida, com potencial promissor nas diversas etapas do planejamento florestal. Outro ponto importante é que esta tecnologia permite a obtenção de informações de árvores individuais o que corrobora a tendência atual do manejo intensivo, onde o foco é a árvore e não mais o povoamento.

Autor: Eng. Mario Oscar de Souza Lima, Geoid Ltda
Fonte: Revista da Madeira